Gestão
Escrito por:
Mariana Cirilo
Ranking ABAD/NielsenIQ 2024: o que mudou no atacado
Ranking ABAD/NielsenIQ 2024: o que mudou no atacado

Publicado em 16 de maio de 2024 · Atualizado em 11/08/2026
O Ranking ABAD NielsenIQ é publicado anualmente e oferece a visão mais abrangente do setor atacadista distribuidor brasileiro. Os dados da edição 2025 do ranking, com base no desempenho de 2024, confirmaram crescimento do setor acima da inflação e sinalizaram mudanças relevantes no canal de vendas digital. Este artigo apresenta os principais números com foco no que eles revelam quando vistos em perspectiva histórica: o que mudou de 2023 para 2024, e o que essa evolução indica para distribuidoras que estão estruturando ou ajustando seu canal de vendas.
Crescimento do faturamento: o que o número nominal esconde
Evolução da participação do setor no mercado mercearil nacional
E-commerce B2B: de canal experimental a canal com peso no faturamento
O e-commerce no mix de canais de distribuidores com entrega
O que esses números significam para distribuidoras que estão digitalizando

Crescimento do faturamento: o que o número nominal esconde
O setor atacadista distribuidor faturou R$ 443,4 bilhões em 2024, com crescimento nominal de 9,8% em relação a 2023. Esse número, lido isoladamente, parece expressivo. Mas para entender o que ele significa de verdade, é preciso descontar a inflação do período.
O crescimento real, já deflacionado, foi de 4,97%. Ou seja, o setor cresceu em volume e não apenas em preço. Isso indica que houve expansão de atendimento, não apenas reajuste de tabela. Para distribuidoras, esse crescimento real é relevante porque significa que o mercado consumiu mais, e não apenas pagou mais caro pelo mesmo volume.
Esse contexto diferencia o ciclo de 2024 de anos em que o crescimento nominal do setor era puxado principalmente por inflação de insumos, sem expansão real do volume de negócios. O resultado confirma que o setor cresceu de forma sólida em 2024, com demanda real sustentando os números.
Participação no mercado mercearil: o melhor resultado em oito anos
Além do crescimento absoluto, o setor ganhou participação relativa. A fatia do canal indireto no mercado mercearil nacional subiu de 52,5% em 2023 para 53,7% em 2024, o melhor resultado desde 2016.
Esse indicador é relevante porque mostra que o setor não apenas cresceu no agregado, mas cresceu mais do que outros canais de distribuição. Atacados e distribuidores aumentaram sua relevância dentro do fluxo de compra, ganhando espaço frente ao canal direto das indústrias e a outros formatos de distribuição.
Um ponto de participação percentual pode parecer pequeno, mas em setores onde as margens são apertadas e a competição por espaço de gôndola e de carteira do lojista é intensa, esse movimento sinaliza que o canal indireto está funcionando melhor do que seus concorrentes diretos. Recuperar o patamar de participação de 2016 é um dado que merece atenção: significa que o setor retomou terreno perdido nos anos anteriores.
E-commerce B2B: de canal experimental a canal com peso no faturamento
O dado que mais chama atenção para quem acompanha a digitalização do setor é o crescimento do e-commerce B2B. O canal movimentou R$ 21,6 bilhões em 2024, equivalente a 8% do faturamento total do setor.
Esse número merece um contexto importante: a cifra de 8% inclui a operação do Atacadão, que possui uma escala atípica para o setor. Sem considerar essa operação, o e-commerce B2B representou 6% do faturamento, correspondendo a R$ 15,6 bilhões. Mesmo nesse recorte mais conservador, o volume é expressivo para um canal que ainda está em processo de adoção na maior parte das distribuidoras brasileiras.
A leitura mais importante desse dado não é o número em si, mas o que ele representa em termos de trajetória. O canal digital saiu de uma posição marginal para representar uma fatia relevante do faturamento do setor em poucos anos. Isso muda a conversa de "vale a pena investir em e-commerce B2B?" para "qual o risco de não investir enquanto concorrentes avançam nesse canal?"
O e-commerce no mix de canais de distribuidores com entrega
O dado de 8% do faturamento total é uma média do setor que inclui operações de todos os portes e formatos. Quando o recorte é feito apenas para distribuidores com entrega, o e-commerce representa 14% da receita, um número significativamente mais alto do que a média geral.
Nesse universo, o e-commerce B2B já ocupa a terceira posição no mix de canais de venda, atrás apenas de representantes comerciais autônomos (40%) e vendedores CLT (20%). A leitura desse dado em perspectiva histórica é relevante: o canal digital, que há alguns anos era apontado como tendência futura, já disputa espaço real com a força de vendas tradicional no segmento de distribuidores com entrega.
Isso indica que, no perfil de distribuidor onde o canal digital faz mais sentido operacional, pedidos recorrentes com entregas programadas, ele já não é mais um canal de nicho ou de teste. É um canal estrutural que os clientes atacadistas estão usando de forma crescente, não porque foram empurrados para ele, mas porque ele entrega o que precisam: disponibilidade, preço correto por perfil e histórico de compra acessível sem depender do horário comercial do vendedor.
O que esses números significam para distribuidoras que estão digitalizando
O comparativo 2023 para 2024 confirma uma tendência que já era visível nos anos anteriores: o crescimento do e-commerce B2B é consistente e não pontual. A participação de 14% entre distribuidores com entrega não surgiu de uma inflexão isolada. É o resultado de uma adoção gradual que ganha velocidade conforme mais distribuidoras estruturam o canal e mais compradores adotam o pedido digital como padrão.
Para distribuidoras que ainda processam pedidos por telefone ou WhatsApp, os dados do ranking indicam que o risco não é mais teórico. A janela para estruturar o canal digital antes que a curva de adoção dos concorrentes avance está se fechando. E o custo de digitalizar de forma correta, com integração ao ERP, catálogo por perfil de cliente e preço correto por segmento, é menor do que o custo de recuperar participação de mercado depois que os concorrentes consolidarem o canal.
Para quem quiser aprofundar nos dados de 2024 do Ranking ABAD NielsenIQ, incluindo as tendências de investimento em tecnologia e as mudanças no canal de representação comercial, o blog da Zydon também publicou uma análise específica sobre a edição mais recente do ranking.

FAQ: Ranking ABAD NielsenIQ e setor atacadista distribuidor
O Ranking ABAD NielsenIQ cobre todo o mercado atacadista brasileiro ou só as maiores empresas?
O ranking cobre um conjunto representativo do setor, com foco nas maiores empresas em faturamento. Os dados agregados sobre participação de mercado e e-commerce refletem esse universo pesquisado. São uma referência sólida para entender tendências estruturais do setor, mas não necessariamente espelham a realidade de cada distribuidora de pequeno porte individualmente.
A diferença entre 8% e 6% de participação do e-commerce B2B é relevante?
Sim. O número de 8% inclui a operação do Atacadão, que tem escala e modelo atípicos para o restante do setor. O número de 6% (R$ 15,6 bilhões) é o recorte que melhor representa o e-commerce B2B para distribuidoras e atacadistas de médio porte. Usar 8% como referência pode gerar uma leitura superestimada do nível médio de digitalização do setor.
O que significa o setor ter voltado a 53,7% de participação no mercado mercearil?
Significa que o canal indireto (distribuidores e atacadistas) voltou a representar a maior fatia já registrada desde 2016 no abastecimento do varejo brasileiro. Mais produtos chegaram ao ponto de venda passando por distribuidores e atacadistas em 2024 do que no ano anterior. É um indicador de que o canal indireto ganhou relevância no abastecimento frente a outros formatos de distribuição.
O crescimento de 4,97% real é expressivo para o setor?
É um crescimento acima do desempenho da economia como um todo no mesmo período. Historicamente, o setor atacadista distribuidor oscila entre crescimento próximo do PIB e crescimento abaixo dele em anos de maior pressão inflacionária. Um crescimento real próximo de 5% é um resultado positivo, especialmente porque indica expansão de volume, não apenas de preço.
Por que o e-commerce representa 14% para distribuidores com entrega, mas apenas 6% do total do setor?
Porque o perfil de operação importa muito. Distribuidores com entrega atendem clientes recorrentes com pedidos programados, um modelo em que a plataforma digital substitui com vantagem a ligação ou o pedido por mensagem. Atacadistas de balcão e cash-and-carry operam em um modelo diferente, onde o cliente vai até o estoque pessoalmente. A média geral mistura esses dois perfis, o que dilui o número. O recorte de 14% para distribuidores com entrega é o dado mais relevante para quem atua nesse modelo.
Quer digitalizar o canal de vendas B2B da sua distribuidora ou indústria de ponta a ponta? Conheça o ecommerce B2B da Zydon.
Publicado em 16 de maio de 2024 · Atualizado em 11/08/2026
O Ranking ABAD NielsenIQ é publicado anualmente e oferece a visão mais abrangente do setor atacadista distribuidor brasileiro. Os dados da edição 2025 do ranking, com base no desempenho de 2024, confirmaram crescimento do setor acima da inflação e sinalizaram mudanças relevantes no canal de vendas digital. Este artigo apresenta os principais números com foco no que eles revelam quando vistos em perspectiva histórica: o que mudou de 2023 para 2024, e o que essa evolução indica para distribuidoras que estão estruturando ou ajustando seu canal de vendas.
Crescimento do faturamento: o que o número nominal esconde
Evolução da participação do setor no mercado mercearil nacional
E-commerce B2B: de canal experimental a canal com peso no faturamento
O e-commerce no mix de canais de distribuidores com entrega
O que esses números significam para distribuidoras que estão digitalizando

Crescimento do faturamento: o que o número nominal esconde
O setor atacadista distribuidor faturou R$ 443,4 bilhões em 2024, com crescimento nominal de 9,8% em relação a 2023. Esse número, lido isoladamente, parece expressivo. Mas para entender o que ele significa de verdade, é preciso descontar a inflação do período.
O crescimento real, já deflacionado, foi de 4,97%. Ou seja, o setor cresceu em volume e não apenas em preço. Isso indica que houve expansão de atendimento, não apenas reajuste de tabela. Para distribuidoras, esse crescimento real é relevante porque significa que o mercado consumiu mais, e não apenas pagou mais caro pelo mesmo volume.
Esse contexto diferencia o ciclo de 2024 de anos em que o crescimento nominal do setor era puxado principalmente por inflação de insumos, sem expansão real do volume de negócios. O resultado confirma que o setor cresceu de forma sólida em 2024, com demanda real sustentando os números.
Participação no mercado mercearil: o melhor resultado em oito anos
Além do crescimento absoluto, o setor ganhou participação relativa. A fatia do canal indireto no mercado mercearil nacional subiu de 52,5% em 2023 para 53,7% em 2024, o melhor resultado desde 2016.
Esse indicador é relevante porque mostra que o setor não apenas cresceu no agregado, mas cresceu mais do que outros canais de distribuição. Atacados e distribuidores aumentaram sua relevância dentro do fluxo de compra, ganhando espaço frente ao canal direto das indústrias e a outros formatos de distribuição.
Um ponto de participação percentual pode parecer pequeno, mas em setores onde as margens são apertadas e a competição por espaço de gôndola e de carteira do lojista é intensa, esse movimento sinaliza que o canal indireto está funcionando melhor do que seus concorrentes diretos. Recuperar o patamar de participação de 2016 é um dado que merece atenção: significa que o setor retomou terreno perdido nos anos anteriores.
E-commerce B2B: de canal experimental a canal com peso no faturamento
O dado que mais chama atenção para quem acompanha a digitalização do setor é o crescimento do e-commerce B2B. O canal movimentou R$ 21,6 bilhões em 2024, equivalente a 8% do faturamento total do setor.
Esse número merece um contexto importante: a cifra de 8% inclui a operação do Atacadão, que possui uma escala atípica para o setor. Sem considerar essa operação, o e-commerce B2B representou 6% do faturamento, correspondendo a R$ 15,6 bilhões. Mesmo nesse recorte mais conservador, o volume é expressivo para um canal que ainda está em processo de adoção na maior parte das distribuidoras brasileiras.
A leitura mais importante desse dado não é o número em si, mas o que ele representa em termos de trajetória. O canal digital saiu de uma posição marginal para representar uma fatia relevante do faturamento do setor em poucos anos. Isso muda a conversa de "vale a pena investir em e-commerce B2B?" para "qual o risco de não investir enquanto concorrentes avançam nesse canal?"
O e-commerce no mix de canais de distribuidores com entrega
O dado de 8% do faturamento total é uma média do setor que inclui operações de todos os portes e formatos. Quando o recorte é feito apenas para distribuidores com entrega, o e-commerce representa 14% da receita, um número significativamente mais alto do que a média geral.
Nesse universo, o e-commerce B2B já ocupa a terceira posição no mix de canais de venda, atrás apenas de representantes comerciais autônomos (40%) e vendedores CLT (20%). A leitura desse dado em perspectiva histórica é relevante: o canal digital, que há alguns anos era apontado como tendência futura, já disputa espaço real com a força de vendas tradicional no segmento de distribuidores com entrega.
Isso indica que, no perfil de distribuidor onde o canal digital faz mais sentido operacional, pedidos recorrentes com entregas programadas, ele já não é mais um canal de nicho ou de teste. É um canal estrutural que os clientes atacadistas estão usando de forma crescente, não porque foram empurrados para ele, mas porque ele entrega o que precisam: disponibilidade, preço correto por perfil e histórico de compra acessível sem depender do horário comercial do vendedor.
O que esses números significam para distribuidoras que estão digitalizando
O comparativo 2023 para 2024 confirma uma tendência que já era visível nos anos anteriores: o crescimento do e-commerce B2B é consistente e não pontual. A participação de 14% entre distribuidores com entrega não surgiu de uma inflexão isolada. É o resultado de uma adoção gradual que ganha velocidade conforme mais distribuidoras estruturam o canal e mais compradores adotam o pedido digital como padrão.
Para distribuidoras que ainda processam pedidos por telefone ou WhatsApp, os dados do ranking indicam que o risco não é mais teórico. A janela para estruturar o canal digital antes que a curva de adoção dos concorrentes avance está se fechando. E o custo de digitalizar de forma correta, com integração ao ERP, catálogo por perfil de cliente e preço correto por segmento, é menor do que o custo de recuperar participação de mercado depois que os concorrentes consolidarem o canal.
Para quem quiser aprofundar nos dados de 2024 do Ranking ABAD NielsenIQ, incluindo as tendências de investimento em tecnologia e as mudanças no canal de representação comercial, o blog da Zydon também publicou uma análise específica sobre a edição mais recente do ranking.

FAQ: Ranking ABAD NielsenIQ e setor atacadista distribuidor
O Ranking ABAD NielsenIQ cobre todo o mercado atacadista brasileiro ou só as maiores empresas?
O ranking cobre um conjunto representativo do setor, com foco nas maiores empresas em faturamento. Os dados agregados sobre participação de mercado e e-commerce refletem esse universo pesquisado. São uma referência sólida para entender tendências estruturais do setor, mas não necessariamente espelham a realidade de cada distribuidora de pequeno porte individualmente.
A diferença entre 8% e 6% de participação do e-commerce B2B é relevante?
Sim. O número de 8% inclui a operação do Atacadão, que tem escala e modelo atípicos para o restante do setor. O número de 6% (R$ 15,6 bilhões) é o recorte que melhor representa o e-commerce B2B para distribuidoras e atacadistas de médio porte. Usar 8% como referência pode gerar uma leitura superestimada do nível médio de digitalização do setor.
O que significa o setor ter voltado a 53,7% de participação no mercado mercearil?
Significa que o canal indireto (distribuidores e atacadistas) voltou a representar a maior fatia já registrada desde 2016 no abastecimento do varejo brasileiro. Mais produtos chegaram ao ponto de venda passando por distribuidores e atacadistas em 2024 do que no ano anterior. É um indicador de que o canal indireto ganhou relevância no abastecimento frente a outros formatos de distribuição.
O crescimento de 4,97% real é expressivo para o setor?
É um crescimento acima do desempenho da economia como um todo no mesmo período. Historicamente, o setor atacadista distribuidor oscila entre crescimento próximo do PIB e crescimento abaixo dele em anos de maior pressão inflacionária. Um crescimento real próximo de 5% é um resultado positivo, especialmente porque indica expansão de volume, não apenas de preço.
Por que o e-commerce representa 14% para distribuidores com entrega, mas apenas 6% do total do setor?
Porque o perfil de operação importa muito. Distribuidores com entrega atendem clientes recorrentes com pedidos programados, um modelo em que a plataforma digital substitui com vantagem a ligação ou o pedido por mensagem. Atacadistas de balcão e cash-and-carry operam em um modelo diferente, onde o cliente vai até o estoque pessoalmente. A média geral mistura esses dois perfis, o que dilui o número. O recorte de 14% para distribuidores com entrega é o dado mais relevante para quem atua nesse modelo.
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Mariana Cirilo


