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Escrito por:
Mariane Brito
Propostas de Renan Santos: o que muda para distribuidores B2B
Propostas de Renan Santos: o que muda para distribuidores B2B

Em ano eleitoral, quem dirige uma distribuidora ou um atacado acompanha o debate econômico com atenção, porque cada proposta pode alterar o custo do capital, o preço do frete e o ritmo de compra dos clientes. É nesse contexto que muitos gestores voltam a se perguntar como digitalizar vendas b2b. A questão deixou de ser um projeto de modernização e passou a ser uma forma de reduzir a exposição da operação a variáveis que ninguém dentro da empresa controla.
Entre as propostas que circulam em 2026 estão as do pré-candidato Renan Santos. Elas incluem um ajuste fiscal estimado em R$ 1,1 trilhão, a expansão da malha ferroviária e a fusão de municípios pequenos. Este artigo não avalia o mérito político de nenhuma delas. O objetivo é traduzir cada uma para a realidade de quem vende para outras empresas e mostrar que decisões operacionais fazem sentido independentemente de quem vença a eleição.
O que você vai aprender neste artigo
Como um ajuste fiscal de grande porte pode influenciar juros, crédito e capital de giro na distribuição
O que a expansão de ferrovias mudaria no custo de frete e no alcance geográfico de um atacado
Por que a fusão de municípios afetaria a demanda em cidades pequenas e as vendas para o setor público
Quais setores da distribuição sentem cada mudança com mais força
Por que um canal digital de vendas funciona como proteção em qualquer cenário econômico
Como começar a digitalização comercial sem paralisar a equipe de vendas
O problema: distribuidores planejam no escuro em ano de eleição
A distribuição B2B opera com margens apertadas e ciclos financeiros longos. O distribuidor compra da indústria com um prazo, vende ao varejo com outro e financia a diferença com capital próprio ou crédito bancário. Por isso, qualquer mudança em juros, custo logístico ou volume de pedidos aparece rapidamente no resultado.
Propostas de campanha não são políticas implementadas. Elas dependem de eleição, de negociação com o Congresso e de anos de execução. Mesmo assim, já influenciam expectativas, e expectativas mexem com câmbio, curva de juros e disposição das empresas para investir. O gestor que espera o cenário se definir para agir costuma reagir tarde. Como não dá para acertar a previsão, o caminho mais seguro é montar uma operação que funcione bem em mais de um futuro possível.
As três propostas e o efeito provável em juros, frete e demanda
Ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão: o efeito sobre juros e crédito
A lógica econômica por trás de um ajuste fiscal amplo é conhecida. Quando o mercado percebe que a dívida pública está em uma trajetória sustentável, o prêmio de risco cai e abre espaço para juros menores. Para o distribuidor, juros menores barateiam o capital de giro, a antecipação de recebíveis e o custo de conceder prazo ao cliente.
Existe um outro lado. Cortes de gastos dessa dimensão podem reduzir transferências, contratos públicos e renda disponível em algumas regiões no curto prazo, e isso esfria a demanda antes que o benefício dos juros apareça. Quem distribui para prefeituras, hospitais públicos ou varejo dependente de renda de programas sociais sentiria esse intervalo primeiro. O desenho exato do ajuste, que ainda é só uma proposta, definiria quem ganha e quem perde em cada fase.
Expansão de ferrovias: frete e raio de atuação
O Brasil movimenta a maior parte de suas cargas por rodovia, e o distribuidor conhece bem esse custo. Diesel, pedágio, manutenção e disponibilidade de motoristas pesam no preço final. Uma malha ferroviária maior tende a reduzir o custo de transporte em longas distâncias, principalmente para cargas pesadas e de baixo valor agregado, como materiais de construção, insumos agrícolas, bebidas e alimentos básicos.
Esse ganho é de longo prazo, porque ferrovias levam anos entre projeto, licenciamento e operação. Além disso, o trem resolve o trecho longo, mas a entrega ao cliente continua sendo feita por caminhão. Na prática, o efeito para a distribuição seria indireto. O abastecimento a partir da indústria ficaria mais barato e surgiriam novos polos logísticos no interior. Distribuidores regionais poderiam ampliar o raio de atuação e, pelo mesmo motivo, passariam a enfrentar concorrentes de outras praças.
Fusão de municípios: demanda local e vendas ao setor público
A proposta de fundir municípios pequenos parte do argumento de que muitas cidades não arrecadam o suficiente para sustentar a própria estrutura administrativa. Para o distribuidor, o impacto viria por dois caminhos. O primeiro é a venda direta ao setor público. Menos prefeituras significam menos compradores, licitações maiores e mais concentradas, e a disputa passa a favorecer fornecedores organizados.
O segundo caminho é a economia local. Em cidades muito pequenas, a prefeitura costuma ser a principal empregadora. Uma reorganização administrativa pode deslocar renda e consumo para o município sede, o que muda o mapa de clientes do varejo que o distribuidor atende. Rotas de visita planejadas para o mapa atual podem deixar de fazer sentido.
Resumo comparativo: o que cada proposta mexe na distribuição
Proposta | Variável afetada | Efeito potencial positivo | Risco para o distribuidor | Horizonte |
|---|---|---|---|---|
Ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão | Juros e crédito | Capital de giro mais barato | Retração de demanda em regiões dependentes de gasto público | Curto e médio prazo |
Expansão de ferrovias | Frete e alcance geográfico | Abastecimento mais barato em longas distâncias | Entrada de concorrentes de outras regiões | Longo prazo |
Fusão de municípios | Demanda local e compras públicas | Licitações maiores e mais previsíveis | Redesenho da carteira de clientes em cidades pequenas | Médio prazo |
Como cada setor da distribuição sentiria essas mudanças
O efeito muda conforme o segmento. Alguns exemplos mostram a diferença:
Materiais de construção: é um setor muito sensível a juros, porque a obra depende de financiamento. Também é um dos que mais ganhariam com frete ferroviário para cimento, aço e revestimentos.
Alimentos e bebidas: a demanda é mais estável, mas a margem é pequena. Qualquer variação no frete ou na renda das cidades menores aparece no tamanho do pedido do varejista.
Autopeças: o mix é enorme e os pedidos são urgentes. O custo de atender clientes espalhados pelo interior pesa mais do que o frete de abastecimento.
Produtos hospitalares e de limpeza profissional: têm forte exposição a compras públicas e seriam diretamente afetados por uma concentração de municípios e por cortes de orçamento.
Insumos agropecuários: seriam beneficiários naturais de ferrovias e de novos polos logísticos, mas dependem de crédito, que por sua vez depende dos juros.
Nos cinco casos, o distribuidor não controla nenhuma dessas variáveis. Ele controla o próprio custo de vender e de atender.
O insight de comportamento: o comprador B2B muda antes da economia
Enquanto o debate macroeconômico segue indefinido, o comportamento do comprador já mudou. O dono de mercearia, o comprador da rede de farmácias e o gerente de oficina fazem pedidos fora do horário comercial, comparam preços pelo celular e esperam consultar estoque e condição comercial sem depender do retorno de um vendedor.
Em períodos de incerteza esse hábito se intensifica. O comprador reduz o volume por pedido, compra com mais frequência e pesquisa mais fornecedores antes de fechar. Um distribuidor que só vende por visita presencial ou por mensagens trocadas uma a uma gasta mais para atender pedidos menores, e a margem vai embora nessa conta. Quem oferece autoatendimento consegue atender o pedido pequeno e frequente sem aumentar a equipe.
Como digitalizar vendas B2B e proteger a operação em qualquer cenário
Digitalizar o canal comercial faz sentido nos três cenários discutidos acima, e por razões diferentes em cada um.
Se os juros caírem e a demanda aquecer: o canal digital absorve o crescimento de pedidos sem contratação proporcional de vendedores e de equipe de digitação.
Se a demanda retrair: o custo de atender cada pedido cai, o que preserva margem quando o tíquete diminui.
Se o frete baratear e o raio de atuação crescer: um e-commerce B2B permite vender para novas regiões sem abrir filial nem montar equipe de campo local.
Se o mapa de clientes mudar: o portal continua disponível para o cliente que ficou fora da rota de visita.
O que uma operação digital B2B precisa ter
Vender para empresas é diferente de vender para o consumidor final, e a tecnologia precisa refletir isso. Os requisitos técnicos mais relevantes são:
Integração com o ERP: estoque, preços, cadastro de clientes e limite de crédito precisam vir do sistema de gestão em tempo real. Sem isso, a equipe passa a manter dois controles paralelos.
Tabelas de preço por cliente: cada comprador enxerga a própria condição comercial, com descontos por volume, por segmento ou por região.
Regras fiscais e tributárias: o cálculo de impostos varia por estado e por tipo de cliente. Isso fica ainda mais sensível com a transição da reforma tributária em andamento.
Pedido mínimo, prazos e formas de pagamento B2B: boleto faturado, limite de crédito e condições negociadas precisam funcionar dentro da plataforma.
Convivência com o representante comercial: o vendedor acompanha a carteira, lança pedidos pelo mesmo sistema e mantém a comissão. O canal digital complementa o time de vendas e não o substitui.
Um caminho de implantação realista
Distribuidores que fazem essa transição com menos atrito costumam seguir uma sequência parecida. Começam pela integração com o ERP e pela organização do catálogo. Em seguida liberam o portal para um grupo de clientes recorrentes, que já conhecem o mix e fazem pedidos de reposição. Com o processo validado, ampliam o acesso para toda a carteira e passam a usar o canal para prospectar novas regiões. O vendedor deixa de digitar pedidos e ganha tempo para negociar, abrir contas e trabalhar o mix.
Zydon: canal digital feito para a realidade da distribuição brasileira
A Zydon é uma plataforma criada para indústrias, distribuidores e atacados que vendem para outras empresas. Ela foi desenhada em torno das particularidades do B2B nacional: integração com os ERPs usados no mercado brasileiro, políticas comerciais por cliente, regras tributárias por estado, pedido mínimo e atuação conjunta com representantes.
Com isso, o distribuidor reduz a dependência de processos manuais e passa a vender todos os dias e a qualquer hora, com as mesmas regras comerciais que já pratica. A empresa também enxerga o comportamento de compra de cada cliente. Em um ano em que juros, frete e demanda podem tomar rumos diferentes conforme o resultado das urnas, essa estrutura dá ao gestor margem para se ajustar sem reconstruir a operação a cada mudança de cenário.
Perguntas frequentes
Vale a pena esperar o resultado das eleições de 2026 para investir em digitalização comercial?
Esperar costuma sair mais caro do que começar. Um projeto de canal digital leva semanas ou meses entre integração, catálogo e adesão dos clientes. Quem inicia agora chega ao próximo ciclo econômico com o canal funcionando, qualquer que seja o cenário. Além disso, o investimento em uma plataforma por assinatura é pequeno perto de decisões como abrir filial ou ampliar frota, que de fato dependem de maior clareza sobre os juros.
As propostas de Renan Santos já têm efeito prático sobre o meu negócio?
Ainda não de forma direta. São propostas de pré-campanha, sem tramitação legislativa. O efeito atual ocorre pelas expectativas: pesquisas eleitorais e sinalizações de política fiscal de qualquer candidato competitivo influenciam câmbio e juros futuros, e isso chega ao distribuidor por meio dos reajustes de tabela da indústria e do custo do crédito bancário.
Distribuidor pequeno, com poucos vendedores, consegue digitalizar as vendas?
Consegue, e muitas vezes é quem mais se beneficia. Uma equipe enxuta tem um limite físico de visitas e atendimentos por dia. Com o portal de pedidos, os clientes de reposição se atendem sozinhos e os vendedores concentram o tempo nas contas com maior potencial. O ponto de atenção é ter o cadastro de produtos minimamente organizado no ERP antes de começar.
Como convencer clientes tradicionais a comprar pelo canal digital?
A adesão costuma vir pela conveniência, e não por imposição. Práticas que funcionam: o próprio vendedor faz o primeiro pedido junto com o cliente durante a visita, a empresa disponibiliza a recompra do último pedido em poucos cliques e oferece condições exclusivas no portal, como um prazo diferenciado ou frete melhor acima de determinado valor. Clientes do interior, que recebem visitas menos frequentes, tendem a aderir mais rápido.
Quem vende para prefeituras deve mudar a estratégia diante da proposta de fusão de municípios?
Mudar a estratégia com base em uma proposta seria prematuro, mas reduzir a concentração é prudente em qualquer cenário. Se uma parcela grande do faturamento vem de compras públicas, usar o canal digital para ampliar a base de clientes privados na mesma região equilibra a carteira sem exigir uma nova estrutura comercial.
Governo muda. Sua carteira de clientes fica.
Seja qual for o resultado de outubro, nenhuma dessas propostas muda o país da noite para o dia. Quase todas dependem do Congresso, e algumas levam anos. Enquanto isso, a sua empresa precisa vender todo mês.
Por isso, o empresário esperto não aposta em quem vai ganhar. Ele aposta no que controla: vender mais para quem já compra, fazer o time comercial render mais sem inchar a folha e ter pedidos previsíveis para planejar o caixa.
Conheça o e-commerce B2B da Zydon e prepare seu canal de vendas para qualquer cenário em 2026
Em ano eleitoral, quem dirige uma distribuidora ou um atacado acompanha o debate econômico com atenção, porque cada proposta pode alterar o custo do capital, o preço do frete e o ritmo de compra dos clientes. É nesse contexto que muitos gestores voltam a se perguntar como digitalizar vendas b2b. A questão deixou de ser um projeto de modernização e passou a ser uma forma de reduzir a exposição da operação a variáveis que ninguém dentro da empresa controla.
Entre as propostas que circulam em 2026 estão as do pré-candidato Renan Santos. Elas incluem um ajuste fiscal estimado em R$ 1,1 trilhão, a expansão da malha ferroviária e a fusão de municípios pequenos. Este artigo não avalia o mérito político de nenhuma delas. O objetivo é traduzir cada uma para a realidade de quem vende para outras empresas e mostrar que decisões operacionais fazem sentido independentemente de quem vença a eleição.
O que você vai aprender neste artigo
Como um ajuste fiscal de grande porte pode influenciar juros, crédito e capital de giro na distribuição
O que a expansão de ferrovias mudaria no custo de frete e no alcance geográfico de um atacado
Por que a fusão de municípios afetaria a demanda em cidades pequenas e as vendas para o setor público
Quais setores da distribuição sentem cada mudança com mais força
Por que um canal digital de vendas funciona como proteção em qualquer cenário econômico
Como começar a digitalização comercial sem paralisar a equipe de vendas
O problema: distribuidores planejam no escuro em ano de eleição
A distribuição B2B opera com margens apertadas e ciclos financeiros longos. O distribuidor compra da indústria com um prazo, vende ao varejo com outro e financia a diferença com capital próprio ou crédito bancário. Por isso, qualquer mudança em juros, custo logístico ou volume de pedidos aparece rapidamente no resultado.
Propostas de campanha não são políticas implementadas. Elas dependem de eleição, de negociação com o Congresso e de anos de execução. Mesmo assim, já influenciam expectativas, e expectativas mexem com câmbio, curva de juros e disposição das empresas para investir. O gestor que espera o cenário se definir para agir costuma reagir tarde. Como não dá para acertar a previsão, o caminho mais seguro é montar uma operação que funcione bem em mais de um futuro possível.
As três propostas e o efeito provável em juros, frete e demanda
Ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão: o efeito sobre juros e crédito
A lógica econômica por trás de um ajuste fiscal amplo é conhecida. Quando o mercado percebe que a dívida pública está em uma trajetória sustentável, o prêmio de risco cai e abre espaço para juros menores. Para o distribuidor, juros menores barateiam o capital de giro, a antecipação de recebíveis e o custo de conceder prazo ao cliente.
Existe um outro lado. Cortes de gastos dessa dimensão podem reduzir transferências, contratos públicos e renda disponível em algumas regiões no curto prazo, e isso esfria a demanda antes que o benefício dos juros apareça. Quem distribui para prefeituras, hospitais públicos ou varejo dependente de renda de programas sociais sentiria esse intervalo primeiro. O desenho exato do ajuste, que ainda é só uma proposta, definiria quem ganha e quem perde em cada fase.
Expansão de ferrovias: frete e raio de atuação
O Brasil movimenta a maior parte de suas cargas por rodovia, e o distribuidor conhece bem esse custo. Diesel, pedágio, manutenção e disponibilidade de motoristas pesam no preço final. Uma malha ferroviária maior tende a reduzir o custo de transporte em longas distâncias, principalmente para cargas pesadas e de baixo valor agregado, como materiais de construção, insumos agrícolas, bebidas e alimentos básicos.
Esse ganho é de longo prazo, porque ferrovias levam anos entre projeto, licenciamento e operação. Além disso, o trem resolve o trecho longo, mas a entrega ao cliente continua sendo feita por caminhão. Na prática, o efeito para a distribuição seria indireto. O abastecimento a partir da indústria ficaria mais barato e surgiriam novos polos logísticos no interior. Distribuidores regionais poderiam ampliar o raio de atuação e, pelo mesmo motivo, passariam a enfrentar concorrentes de outras praças.
Fusão de municípios: demanda local e vendas ao setor público
A proposta de fundir municípios pequenos parte do argumento de que muitas cidades não arrecadam o suficiente para sustentar a própria estrutura administrativa. Para o distribuidor, o impacto viria por dois caminhos. O primeiro é a venda direta ao setor público. Menos prefeituras significam menos compradores, licitações maiores e mais concentradas, e a disputa passa a favorecer fornecedores organizados.
O segundo caminho é a economia local. Em cidades muito pequenas, a prefeitura costuma ser a principal empregadora. Uma reorganização administrativa pode deslocar renda e consumo para o município sede, o que muda o mapa de clientes do varejo que o distribuidor atende. Rotas de visita planejadas para o mapa atual podem deixar de fazer sentido.
Resumo comparativo: o que cada proposta mexe na distribuição
Proposta | Variável afetada | Efeito potencial positivo | Risco para o distribuidor | Horizonte |
|---|---|---|---|---|
Ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão | Juros e crédito | Capital de giro mais barato | Retração de demanda em regiões dependentes de gasto público | Curto e médio prazo |
Expansão de ferrovias | Frete e alcance geográfico | Abastecimento mais barato em longas distâncias | Entrada de concorrentes de outras regiões | Longo prazo |
Fusão de municípios | Demanda local e compras públicas | Licitações maiores e mais previsíveis | Redesenho da carteira de clientes em cidades pequenas | Médio prazo |
Como cada setor da distribuição sentiria essas mudanças
O efeito muda conforme o segmento. Alguns exemplos mostram a diferença:
Materiais de construção: é um setor muito sensível a juros, porque a obra depende de financiamento. Também é um dos que mais ganhariam com frete ferroviário para cimento, aço e revestimentos.
Alimentos e bebidas: a demanda é mais estável, mas a margem é pequena. Qualquer variação no frete ou na renda das cidades menores aparece no tamanho do pedido do varejista.
Autopeças: o mix é enorme e os pedidos são urgentes. O custo de atender clientes espalhados pelo interior pesa mais do que o frete de abastecimento.
Produtos hospitalares e de limpeza profissional: têm forte exposição a compras públicas e seriam diretamente afetados por uma concentração de municípios e por cortes de orçamento.
Insumos agropecuários: seriam beneficiários naturais de ferrovias e de novos polos logísticos, mas dependem de crédito, que por sua vez depende dos juros.
Nos cinco casos, o distribuidor não controla nenhuma dessas variáveis. Ele controla o próprio custo de vender e de atender.
O insight de comportamento: o comprador B2B muda antes da economia
Enquanto o debate macroeconômico segue indefinido, o comportamento do comprador já mudou. O dono de mercearia, o comprador da rede de farmácias e o gerente de oficina fazem pedidos fora do horário comercial, comparam preços pelo celular e esperam consultar estoque e condição comercial sem depender do retorno de um vendedor.
Em períodos de incerteza esse hábito se intensifica. O comprador reduz o volume por pedido, compra com mais frequência e pesquisa mais fornecedores antes de fechar. Um distribuidor que só vende por visita presencial ou por mensagens trocadas uma a uma gasta mais para atender pedidos menores, e a margem vai embora nessa conta. Quem oferece autoatendimento consegue atender o pedido pequeno e frequente sem aumentar a equipe.
Como digitalizar vendas B2B e proteger a operação em qualquer cenário
Digitalizar o canal comercial faz sentido nos três cenários discutidos acima, e por razões diferentes em cada um.
Se os juros caírem e a demanda aquecer: o canal digital absorve o crescimento de pedidos sem contratação proporcional de vendedores e de equipe de digitação.
Se a demanda retrair: o custo de atender cada pedido cai, o que preserva margem quando o tíquete diminui.
Se o frete baratear e o raio de atuação crescer: um e-commerce B2B permite vender para novas regiões sem abrir filial nem montar equipe de campo local.
Se o mapa de clientes mudar: o portal continua disponível para o cliente que ficou fora da rota de visita.
O que uma operação digital B2B precisa ter
Vender para empresas é diferente de vender para o consumidor final, e a tecnologia precisa refletir isso. Os requisitos técnicos mais relevantes são:
Integração com o ERP: estoque, preços, cadastro de clientes e limite de crédito precisam vir do sistema de gestão em tempo real. Sem isso, a equipe passa a manter dois controles paralelos.
Tabelas de preço por cliente: cada comprador enxerga a própria condição comercial, com descontos por volume, por segmento ou por região.
Regras fiscais e tributárias: o cálculo de impostos varia por estado e por tipo de cliente. Isso fica ainda mais sensível com a transição da reforma tributária em andamento.
Pedido mínimo, prazos e formas de pagamento B2B: boleto faturado, limite de crédito e condições negociadas precisam funcionar dentro da plataforma.
Convivência com o representante comercial: o vendedor acompanha a carteira, lança pedidos pelo mesmo sistema e mantém a comissão. O canal digital complementa o time de vendas e não o substitui.
Um caminho de implantação realista
Distribuidores que fazem essa transição com menos atrito costumam seguir uma sequência parecida. Começam pela integração com o ERP e pela organização do catálogo. Em seguida liberam o portal para um grupo de clientes recorrentes, que já conhecem o mix e fazem pedidos de reposição. Com o processo validado, ampliam o acesso para toda a carteira e passam a usar o canal para prospectar novas regiões. O vendedor deixa de digitar pedidos e ganha tempo para negociar, abrir contas e trabalhar o mix.
Zydon: canal digital feito para a realidade da distribuição brasileira
A Zydon é uma plataforma criada para indústrias, distribuidores e atacados que vendem para outras empresas. Ela foi desenhada em torno das particularidades do B2B nacional: integração com os ERPs usados no mercado brasileiro, políticas comerciais por cliente, regras tributárias por estado, pedido mínimo e atuação conjunta com representantes.
Com isso, o distribuidor reduz a dependência de processos manuais e passa a vender todos os dias e a qualquer hora, com as mesmas regras comerciais que já pratica. A empresa também enxerga o comportamento de compra de cada cliente. Em um ano em que juros, frete e demanda podem tomar rumos diferentes conforme o resultado das urnas, essa estrutura dá ao gestor margem para se ajustar sem reconstruir a operação a cada mudança de cenário.
Perguntas frequentes
Vale a pena esperar o resultado das eleições de 2026 para investir em digitalização comercial?
Esperar costuma sair mais caro do que começar. Um projeto de canal digital leva semanas ou meses entre integração, catálogo e adesão dos clientes. Quem inicia agora chega ao próximo ciclo econômico com o canal funcionando, qualquer que seja o cenário. Além disso, o investimento em uma plataforma por assinatura é pequeno perto de decisões como abrir filial ou ampliar frota, que de fato dependem de maior clareza sobre os juros.
As propostas de Renan Santos já têm efeito prático sobre o meu negócio?
Ainda não de forma direta. São propostas de pré-campanha, sem tramitação legislativa. O efeito atual ocorre pelas expectativas: pesquisas eleitorais e sinalizações de política fiscal de qualquer candidato competitivo influenciam câmbio e juros futuros, e isso chega ao distribuidor por meio dos reajustes de tabela da indústria e do custo do crédito bancário.
Distribuidor pequeno, com poucos vendedores, consegue digitalizar as vendas?
Consegue, e muitas vezes é quem mais se beneficia. Uma equipe enxuta tem um limite físico de visitas e atendimentos por dia. Com o portal de pedidos, os clientes de reposição se atendem sozinhos e os vendedores concentram o tempo nas contas com maior potencial. O ponto de atenção é ter o cadastro de produtos minimamente organizado no ERP antes de começar.
Como convencer clientes tradicionais a comprar pelo canal digital?
A adesão costuma vir pela conveniência, e não por imposição. Práticas que funcionam: o próprio vendedor faz o primeiro pedido junto com o cliente durante a visita, a empresa disponibiliza a recompra do último pedido em poucos cliques e oferece condições exclusivas no portal, como um prazo diferenciado ou frete melhor acima de determinado valor. Clientes do interior, que recebem visitas menos frequentes, tendem a aderir mais rápido.
Quem vende para prefeituras deve mudar a estratégia diante da proposta de fusão de municípios?
Mudar a estratégia com base em uma proposta seria prematuro, mas reduzir a concentração é prudente em qualquer cenário. Se uma parcela grande do faturamento vem de compras públicas, usar o canal digital para ampliar a base de clientes privados na mesma região equilibra a carteira sem exigir uma nova estrutura comercial.
Governo muda. Sua carteira de clientes fica.
Seja qual for o resultado de outubro, nenhuma dessas propostas muda o país da noite para o dia. Quase todas dependem do Congresso, e algumas levam anos. Enquanto isso, a sua empresa precisa vender todo mês.
Por isso, o empresário esperto não aposta em quem vai ganhar. Ele aposta no que controla: vender mais para quem já compra, fazer o time comercial render mais sem inchar a folha e ter pedidos previsíveis para planejar o caixa.
Conheça o e-commerce B2B da Zydon e prepare seu canal de vendas para qualquer cenário em 2026
Feito para distribuidoras e indústrias que precisam dar autonomia ao cliente e liberar tempo do comercial.
Pronto para digitalizar as suas vendas?
Conheça como a Zydon pode transformar o canal de vendas da sua empresa.Escrito por:
Mariane Brito

